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Salada de frutas - 09/03/2010 02:16:39

Da Redação

O paradoxo dos dias de hoje pode ser lido com a frase cortante: “a moda libertou as mulheres” – ainda que os corseletes estejam cada vez mais apertados. Essa história começou em 1848, quando o movimento sufragista tomou os Estados Unidos em prol da igualdade de direitos entre os sexos. Mas foram necessárias muitas décadas para que as moças de família pudessem se fazer respeitar.

No Brasil, as feministas se organizaram em 1910, e a primeira cidade a reconhecer a legitimidade do time frágil foi Mossoró, no Rio Grande do Norte, isso em 1928. Bem antes deste enredo, as pioneiras chamadas de “atrevidas” não ousaram levantar as barras das saias, mas, sim, as vozes contra o trabalho semiescravo. Eram 129 operárias de uma indústria têxtil que acabaram, literalmente, queimadas como bruxas da época da Inquisição. O massacre aconteceu em Nova Iorque, num dia 08 de março, há exatos 153 anos. A data foi escolhida mais tarde como dia internacional da mulher.

Mais de um século se passou, muitos sutiãs foram deixados no passado e a revolução sexual terminou com a vulgarização da mulher. O que soaria como pesadelo para as nossas avós virou realidade massificada pela mídia comandada pelos insights de Andy Warhol. Os reality shows ajudaram a perpetuar os tais 15 minutos de fama – e neste curto espaço de tempo, tirar a roupa, rebolar e protagonizar algum escândalo mantém a celebrity no ar. Outro retrocesso é a banalização imposta pela propaganda: não se vende cerveja sem a imagem de uma loira gostosa. No balaio por um lugarzinho ao flash, as moçoilas se valem de predicados nada ortodoxos para laçar partidos em ascensão. Jogadores de futebol, pagodeiros e pilotos consagrados são as vítimas preferidas das modeletes à espreita (vide o caso da modelo argentina Anália Sarques, de 25 anos, que afirma ter sido amante do craque Diego Maradona e já sonha com seu livro de memórias esmiuçando os bastidores do affair.

Ainda recente no imaginário popular, o caso que envolveu Luciana Gimenez e o astro pop Mick Jagger, vocalista do Rolling Stones, foi além das cifras astronômicas – e rendeu um contrato, com direito a casório, aqui mesmo nos trópicos. Vale lembrar que o flerte terminou com o nascimento do herdeiro legítimo do cantor. Na seara das polêmicas, a ex-aluna da UNIBAN, Geyse Arruda, foi hostilizada por seus colegas por usar um microvestido, detalhe que lhe garantiu as manchetes dos jornais, o destaque numa escola de samba e a capa de uma publicação dirigida aos machos. Neste vaivém nem sempre promissor, a cada estação uma nova categoria de mulher desponta nas prateleiras: melancia, maça, abacaxi, melão e até um arquétipo intitulado Ceasa! Uma verdadeira salada de frutas que constrange até as mais moderninhas, quiçá a liga das senhoras católicas?! Neste quesito, certamente, toda a nudez será castigada.

 









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